sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Passageiro.

Há coisas que são passageiras – sentimentos, desejos, atitudes, palavras, gestos, objectivos, tanta coisa. Por muita coisa ser passageira não posso deixar que a minha vida tenha um rumo desconcertante que não me dá certezas do meu futuro, o futuro que eu pretendo seguir.
Tu fazes parte da minha vida, e como tal, és uma coisa passageira mas que reside à algum tempo dentro do meu peito. É como se tivesses a chave do meu coração e te trancasses por dentro, e eu, indefesa, não te consigo expulsar de lá por muito que queira e tente, portanto, tenho de esperar que tomes a decisão mais acertada neste momento. A partida. Sim, está na altura de te assumires como aquilo que és… mais uma coisa passageira na minha vida e saberes que está na altura de partires para outro sítio que não seja o meu peito, o meu coração. Saí porta fora e entrega-me a chave, essa chave irá ser dada a outra pessoa, que, espero eu, não seja tão passageira quanto tu, quanto o nosso amor… Está na altura de fazeres as malas e seguires um novo rumo sem mim, sem nós.
Há coisas passageiras que como se entende, apenas passam por nós, não permanecem em nós, mas neste momento algo permanece em mim. Uma pequena lembrança de ti. Isso vai estar sempre comigo, mesmo sabendo que o sempre não existe.
Chegou o tempo de mudanças. Vou mudar de vida. Vou deixar para trás tudo aquilo que me fez ‘mal’ e ficar apenas com o que tenho de ‘bom’. Vou mudar de vida, largar tudo (ou melhor, quase tudo) e começar do 0 (sim, bem que gostava de tal coisa, principalmente começar do 0 a partir da infância, ser pequenino e inocente e não ter noção das coisas!), largar os manuais da vida que sigo e percorrer o meu caminho tal e qual como quero. No fim do meu trajecto, apenas quero poder gritar ao mundo a plenos pulmões: mudei, arrisquei, cresci, perdi, amei, chorei, derramei, sorri, lutei, venci, senti, brinquei, sonhei, partilhei, construí, perdoei, errei, falhei, mas acima de tudo VIVI.
Sim, há coisas que são passageiras e talvez esta minha ideia de mudar de vida seja uma delas. E então? A única coisa que quero fazer é viver. Apenas deixem-me viver à minha maneira.


Joana Silva, 8 de Outubro de 2010

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